Novo software do IMD automatiza gestão financeira de projetos de pesquisa

Solução substitui planilhas e agiliza governança de convênios com a ProPESQ e FINEP
11-06-2026 / ASCOM
Inovação Pesquisa
Pedro Weissheimer e Felipe Araújo

O Instituto Metrópole Digital (IMD/UFRN) registrou, no último mês, junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), a nova versão de um software de gestão de projetos capaz de modernizar e otimizar o gerenciamento financeiro para pesquisas científicas em universidades. Intitulada Sapiencia 2.0, a solução é capaz de integrar fontes de dados, promover boas práticas de gestão e emitir relatórios confiáveis de forma automatizada.

A solução foi projetada especialmente para substituir o uso de planilhas digitais, método que, até então, era utilizado para gerir recursos financeiros de convênios CT-INFRA – mecanismo de fomento da Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP) e um dos mais importantes para a pesquisa científica no país.

De acordo com Gibeon Soares, professor do Departamento de Informática e Matemática Aplicada (Dimap) e pesquisador do IMD, e um dos autores principais do projeto, a criação do sistema otimizou especialmente o gerenciamento financeiro da Pró-Reitoria de Pesquisa da UFRN (ProPESQ).

“Isso tornava o trabalho moroso, suscetível a erros e, por diversas ocasiões, gerava duplicação de esforços. Com o novo software, conseguimos integrar com o SIGFundação e automatizar processos, facilitando a gestão interna da ProPESQ”, explica Gibeon.

O software teve sua primeira versão concebida a partir de demandas reais da administração universitária, buscando aderir inteiramente à automação e confiabilidade. A ferramenta já se encontra funcional e em uso interno.

Infraestrutura de pesquisa

Desde o primeiro edital do programa CT-INFRA, em 2001, a UFRN elaborou e aprovou 18 projetos institucionais voltados à infraestrutura laboratorial de pesquisa; o montante total captado já ultrapassou R$ 67,3 milhões.

No entanto, a gestão desses recursos, historicamente realizada pela ProPESQ, enfrentava recorrentemente desafios como falta de integração entre fontes de dados, ausência de boas práticas e dificuldade para gerar relatórios de gestão que fossem confiáveis e emitidos em tempo hábil.

Diante disso, a primeira versão do Sapiencia foi concebida com os objetivos de desenvolver ferramentas para acompanhamento integrado dos projetos em andamento, geração automatizada de relatórios gerenciais, cadastro centralizado e seguro de dados relacionados aos projetos, e fornecimento de mecanismos extensíveis para coleta de dados a partir de sistemas externos, como o SIGFundação.

Sapiencia 2.0

Registrada junto ao INPI no dia 12 de maio, a versão 2.0 desse software consolida todas essas funcionalidades, mas incorpora melhorias na arquitetura e na experiência do usuário.

A tecnologia foi estruturada em módulos que refletem o ciclo de vida dos projetos financiados: Cadastro e Planejamento; Execução Financeira; Relatórios Gerenciais; e Alertas e Prazos.

O primeiro possibilita o registro dos convênios, metas físicas e orçamentos aprovados. Já o módulo de Execução Financeira permite integração com o SIGFundação para acompanhamento de saldos.

Por sua vez, a função de Relatórios gera automaticamente demonstrativos estratégicos para a ProPESQ e FINEP, enquanto o módulo de Alertas e Prazos emite notificações sobre vencimentos de relatórios, prazos de prestação de contas e limites orçamentários.

Aplicabilidade

Para Gibeon Soares, embora o foco imediato do Sapiencia 2.0 seja a gestão administrativa e financeira da infraestrutura de pesquisa, seus impactos se estendem indiretamente por toda a cadeia acadêmica.

“No caso de cursos e professores da UFRN, laboratórios bem equipados e projetos de pesquisa concluídos no prazo impactam positivamente a qualidade da formação discente, a competitividade em editais futuros e a própria avaliação da Universidade”, esclarece o pesquisador.

Além disso, o docente comenta que outras universidades brasileiras enfrentam exatamente os mesmos desafios na gestão de convênios CT-INFRA e de fundos similares. Segundo ele, a arquitetura extensível do Sapiencia favorece a cooperação da UFRN com essas outras instituições.

“Acredito que, com algum esforço adicional, a gente possa vir a integrar isso como portfólio dos produtos que a UFRN já utiliza na sua rede de cooperação com outras universidades”, explica Gibeon Soares.