Tecnologia potiguar transforma cadeia automotiva
Da gestão de frotas à venda de peças e veículos, empresas do Parque criam soluções para o mercado
05-10-2026 / ASCOM
O avanço da tecnologia está mudando não apenas a fabricação de veículos, mas também uma cadeia que envolve compra e venda, manutenção, peças, gestão de frotas, fiscalização e novas formas de mobilidade. No Rio Grande do Norte, empresas ligadas ao Parque Tecnológico Metrópole Digital (Metrópole Parque) desenvolvem soluções que atuam em diferentes pontos do setor automotivo.
Os números ajudam a dimensionar a importância desse mercado. De acordo com a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), o Brasil produziu 271,2 mil veículos em agosto de 2026, alta de 6,8% em relação a julho e de 9,4% na comparação com agosto de 2025.
Paralelamente ao crescimento do mercado, a transformação digital amplia o espaço para empresas especializadas em resolver problemas da cadeia. Nesse cenário, ganham espaço as chamadas autotechs, startups e empresas de tecnologia que desenvolvem soluções para diferentes áreas do setor automotivo. Em levantamento publicado em 2024, a Liga Ventures identificou pelo menos 180 autotechs ativas no país.
Um dos problemas mais específicos do setor está na identificação e disponibilidade de peças. Foi a partir da experiência de Igor Mesquita em uma família com atuação no segmento de reparação automotiva que surgiu, em 2021, a Hubbi Parts, startup criada no programa de incubação do Metrópole Parque. Ao acompanhar de perto a operação da empresa familiar, Igor identificou dificuldades enfrentadas por oficinas e outros agentes da cadeia, como localizar peças, evitar compras incorretas e lidar com processos pouco automatizados.
A partir dessa experiência, a empresa desenvolveu uma plataforma que identifica, pela placa do veículo, características técnicas e peças compatíveis, usando inteligência artificial e integração com sistemas de gestão e estoques. A base reúne mais de 2,3 milhões de produtos padronizados, com cobertura para veículos fabricados e importados desde 1950 e mais de 200 fornecedores.
Segundo Igor, a padronização e a automação podem gerar economia de até 40% em custos operacionais e tempo de manutenção. Os investimentos públicos e privados já ultrapassam R$ 6 milhões, e a operação, que começou como um sistema de cotação, hoje utiliza dados, APIs e inteligência artificial, com uma equipe de mais de 50 pessoas. “No início, o desafio era conquistar clientes e validar a solução. Com o crescimento, os desafios mudaram e passaram a envolver pessoas, cultura e decisões mais estratégicas sobre o futuro do negócio”, conta o empreendedor.
Se na Hubbi a tecnologia atua sobre a identificação de peças, na Frotinha o foco está na administração de veículos e operações de uma frota. A startup desenvolve um software que reúne, em um único ambiente, informações sobre veículos, condutores, manutenções, abastecimentos, documentos, movimentações, rastreamento e indicadores gerenciais. A plataforma funciona em nuvem e combina aplicação web e aplicativo móvel.
A proposta é substituir a necessidade de diferentes sistemas por uma ferramenta integrada, permitindo que empresas e órgãos públicos acompanhem a operação e utilizem os dados para controlar custos e apoiar decisões.
Em outra frente, a transformação tecnológica modifica a própria forma de utilizar os veículos. Incubada no Metrópole Parque, a MAX CAR HUB desenvolve uma plataforma de mobilidade compartilhada que conecta proprietários de veículos a pessoas interessadas em locação, transformando veículos ociosos em possibilidade de geração de renda e ampliando alternativas de mobilidade. A empresa surgiu a partir de uma pesquisa desenvolvida no mestrado acadêmico de Max Diniz, que já tinha mais de dez anos de experiência no mercado tradicional de locação de veículos. A plataforma atende demandas como turismo, uso empresarial, mobilidade temporária e trabalho de motoristas de aplicativos.
Para Max, a proposta vai além de criar uma nova forma de alugar carros. “Queremos construir uma solução de mobilidade que também produza impacto econômico, social, ambiental e urbano. Nossa startup busca contribuir para uma mobilidade mais inteligente, reduzindo a necessidade de expansão permanente da frota e, no longo prazo, ajudando a repensar a relação das cidades com o espaço destinado aos automóveis”, explica.
A digitalização da cadeia automotiva alcança ainda atividades que estão fora da relação direta entre empresas e consumidores. É o caso do CTON, solução desenvolvida pela Braso, empresa com mais de 11 anos de atuação na área de GovTech e que passou a integrar o ecossistema do Metrópole Parque. O CTON é um talonário eletrônico para controle de tráfego que permite a agentes de trânsito registrar e emitir autos de infração diretamente pelo celular, tanto online quanto offline.
A solução elimina o uso de talonários em papel e digitaliza uma etapa da fiscalização, mostrando como ferramentas tecnológicas também podem ser aplicadas à gestão pública relacionada ao trânsito.
Da incubação ao mercado
Essa transformação do mercado também aparece na trajetória de empresas que passaram pelo processo de incubação e avançaram para o mercado. É o caso da Pitom84, graduada no Metrópole Parque. Voltada ao mercado de motocicletas usadas, a empresa desenvolveu uma plataforma para apoiar concessionárias em diferentes etapas da comercialização, como atendimento, precificação, marketing digital e troca de mercadorias.
Segundo a Rodolfo Dantas, fundador da Pitom84, a empresa já movimentou mais de R$ 500 milhões no mercado de motos usadas. “O Metrópole Parque nos deu total suporte com os profissionais multidisciplinares, evoluindo na nossa gestão, nas capacitações e na estrutura física disponível. Hoje temos clientes em 23 estados, com mais de 400 concessionárias e 700 lojistas no Brasil todo. Mensalmente são feitas 20 mil novas avaliações de motos seminovas”, conta.
O ecossistema do Metrópole Parque reúne ainda negócios credenciados que atuam em diferentes etapas do mercado automotivo. A Autoforce desenvolve soluções digitais para concessionárias e revendas, como showrooms, páginas de veículos e ferramentas de análise de dados. Já a Lua4, que iniciou sua trajetória em 2011 como agência de marketing digital, desenvolveu o Autoveículo, plataforma que reúne recursos para gestão, divulgação e venda de veículos pela internet.